Infancia

Nascida nos arredores duma pequena aldeia não muito longe do mar,no entanto nesse tempo era muito difícil la chegar,esse mar que desde sempre me atraiu,como se eu já soubesse que ele seria o meu conselheiro o amigo confidente, calmante das minhas magoas,a forca das fraquesas,no inverno sua aragem secaria minhas lagrimas no verão o sol confortaria minha alma, bronzear a minha pele era como se me alimenta-se para suportar tudo o resto que a vida tinha para me dar e tirar.

Oriunda duma família de agricultores,onde desde muito pequena fui ensinada a trabalhar,brincar nem sei se o fiz,visto nem brinquedos ter tido,era com a minha imaginação que os construía,das folhas das arvores plantas e frutos, fazia os animais e pessoas dos paus casas e vedações, sempre a inventar grandes quintas e famílias grandes, como se desde já soubesse que iria perder tudo isso ao longo da vida, nas redondezas não havia crianças, criava amigos imaginarios,com quem falava,partilhava tudo o que me vinha a mente,ou tudo o que eu desejaria ter e não tinha,a vida desde cedo me obrigou a fazer grandes sacrifícios,alguns desumanos para tao tenra idade.

Escola primaria ficava no simo do monte,a 3 km ,não havia estradas naquela zona,eram apenas caminhos de terra batida na planície e caminhos e veredas de pedras e arbustos,poucas casas encontrava no percurso para a escola,e as poucas que havia,tinha que caminhar pelo meio das culturas para fugir das perseguições dos caes não sei porque ,mas nesse tempo esses animais não gostavam de mim,ou seria apenas o seu jeito de reclamar que não estava certo uma criança tao pequena caminhar por entre valados e arvores sozinha toda aquela distancia tivesse sol ou chuva torrencial,sentia pavor da trevoada,ninguém consegue imaginar o que sofri com esse medo.

Os invernos eram longos,praticamente todas s manhas apanhava chuva,que me molhava ate a roupa interior,e claro essa iria secar no meu corpo durante a permaencia na escola,sou vos cinsera,não sentia algum tipo de prazer ou gosto em ali estar, em aprender,pois o desconforto era enorme,mas tinha que aguentar,crincas não tinham voz,nao seriam ouvidas,so quando lhes fousse exigida uma resposta fousse ao que fousse

So desejava crescer rápido achando que isso iria mudar a minha vida,que passaria a sentir alegria e conforto,mas enganei-me,vim com o destino traçado para perdas sacrifícios e desilusões,ja nesse tempo eu fazia tudo para não decepcionar ninguém,queria ser amada mais que não fousse pelo bom comportamento,pois de afetos ou carinhos não tenho lembranças .

Não era filha única,tinha um irmão mais velho 10 anos,e já havia falecido uma irmã,a qual não conheci,ela com um ano de idade apanhou cancro numa vista,o que a cegou,numa brincadeira foi atingida por uma pedra numa vista,a ignorância era tal que em vez de logo terem passado agua fria,nao digo gelo,porque nem eletricidade havia ou qualquer outra coisa,entao o que faziam era apertar a zona afetada,e foi isso que provocou o surgimento do cancro,pelo que sempre me foi dito,foi a primeira criança a ser tratada de cancro em Portugal,sem mesmo que houvesse tratamento para tal,o certo e que ela conseguio sobreviver ate aos 10 anos de idade,cega duma vista,sofrendo de dores inimagináveis,pelos relatos da mae,ao assumir que nos últimos tempos pedia a Deus que a leva-se,pois não aguentava mais ver tamanho sofrimento,conta que ela tomava lamelas completas de comprimidos e nem assim parava de gritar com dores,tendo falecido aos dez anos.

Ficou o mano e depois vim eu,com o mano pouco convívio tive,visto termos 10 anos de diferenca,ele já havia terminado a escola primaria quando eu a iniciei,como vivíamos isolados ali não havia hipótese de continuar a estudar.entao foi viver para uma povoacao onde havia escola mais avançada,foi para casa de uns tios,poucas vezes vinha a casa,so me lembro dele vir já bem mais tarde apos os seus 17 anos onde já tinha ido para Lisboa estudar como voluntario na Marinha,e mesmo assim praticamente não estava com ele,o tempo que passava em casa era a trabalhar no campo com o pai,e a noite os amigos que já tinham motos e carros o iam buscar para sair,nesta altura havia uma experanca em mim,ele era lutador,era boa pessoa ,dizia sempre que íamos ter melhor vida e claro eu acreditava,tudo parecia começar a evoluir um pouco,ja tínhamos televisão a bateria, frigorifico a gaz e candeeiros a gaz também,ate então nada tínhamos ,somente candeeiros a petrolio,isto na fase do 25 de Abril.

Anúncios